Sunday, July 12, 2009

muito tempo em casa é no que dá

2 filmes

Spider









Londres, East End, anos 60 e 80. Spider (Bradley Hall), um rapaz muito perturbado, "vê" o pai (Gabriel Byrne) matar brutalmente a sua mãe e substituí-la por uma prostituta, Yvonne (Miranda Richardson). Convencido que eles também o querem matar, Spider elabora um plano diabólico que leva a cabo com trágicos resultados. Anos mais tarde, Spider (Ralph Fiennes) é deixado numa casa de acolhimento para doentes mentais, onde a dona, Mrs. Wilkinson (Lynn Redgrave), lhe dá pouca atenção. Sem vigilância, Spider deixa de tomar os medicamentos e começa a revisitar os fantasmas da sua infância. As suas tentativas para entender o passado, levam Spider a entrar numa espiral irreversível de loucura...

Um filme a ver por tantos daqueles que desprezam os loucos ou doentes mentais, como gostarem mais de lhes chamar, porque pior que não estar bem é não saber pedir ajuda.Pior ainda é, como em Spider, quando as memórias não correspondem necessariamente, ou sempre, à realidade mas as levamos até às ultimas consequências...a loucura.
O filme que nos leva a pensar sobre a vida, a mentira e a verdade.No fim, eu prefiro me louca assumida!


Feios, porcos e maus











Vencedor do prémio para melhor realização no Festival Cannes de 1978, FEIOS, PORCOS E MAUS é um dos melhores filmes do realizador Ettore Scola .Giacinto Mazzatella (Nino Manfredi), um ex-operário que recebeu um milhão de liras de indemnização após ter perdido um olho num acidente de trabalho, mora com a esposa, os dez filhos e vários parentes, numa barraca de um bairro degradado da periferia de Roma. Movido pelo egoísmo e pela avareza, esconde o dinheiro que recebeu do seguro e, com medo que alguém o roube, dorme abraçado a uma caçadeira obrigando os outros (mais de 20) a comer, dormir e fazer sexo na mesma divisão da barraca. A situação complica-se quando Giacinto leva para 'casa' uma prostituta e começa a gastar o dinheiro comprando-lhe presentes.

"Feios, Porcos e Maus" releva as condições degradantes da vida humana num retrato de miséria, egoísmo, mentira, promiscuidade, traição, incesto e violência. Começo por sorrir, depois rir e a certa altura dou por mim muito séria a olhar para o écran, cada vez mais séria até ao fim do filme.Tudo aquilo é nojento, desde as refeições ao aspecto da família, degradante, promíscuo, miserável.O título diz tudo, e bem.O filme é excelente.


1 CD



algumas das musicas deste cd estão a tocar aqui no Velas esta semana...


1 poema


Julgava que te tinha dito adeus,

um adeus contundente, ao deitar-me,

quando pude por fim fechar os olhos,

esquecer-me de ti, dessas argúcias,

dessa tua insistência, teu mau génio,

tua capacidade de anular-me.

Julgava que te tinha dito adeus

de todo e para sempre, mas acordo,

encontro-te de novo junto a mim,

dentro de mim, rodeias-me, a meu lado,

invades-me, afogas-me, diante

dos meus olhos, em frente à minha vida,

por sob a minha sombra, nas entranhas,

em cada golpe do meu sangue, entras

por meu nariz quando respiro, vês

pelas minhas pupilas, lanças fogo

nas palavras que minha boca diz.

E agora que faço?, como posso

desterrar-te de mim ou adaptar-me

a conviver contigo? Principie-se

por demonstrar maneiras impecáveis.

Bom dia, tristeza.

amalia bautista


Thursday, July 09, 2009

a girafa,o galo e a cabra

um pouco
de tudo
e do nada.
girassol com sardas.
caracol distraído.
tijolo sobre tijolo
- as pintas do corpo -
ergue-se
a girafa
Sergio de Castro Pinto




Tenório nasceu duma ninhada que a Senhora Maria Puga deitou amorosamente debaixo das asas da Pedrês, no dia doze de Janeiro, pelas três da tarde. À primeira vista quando a sua cabecita saiu da casca do ovo a senhora Maria achou logo que seria um frango.
Aquela sua amostra de crista poucas semanas depois já parecia uma mitra.
Por altura da Ascensão, Tenório viu os seus irmãos serem degolados para darem umas belas dumas refeições caseiras. Mas a sua dona preferiu mantê-lo para a semente. A certeza de continuar vivo e saber da sorte que teve, enchiam a alma de Tenório duma confiança cega e só mais tarde lhe foi revelado o seu destino.
Num certo dia de Outubro ao amanhecer, sentiu uma ânsia enorme de abrir o peito e cantar ao mundo não sabia muito bem o quê. Sentia-se febril, mas não doente; uma estranha sensação percorria-lhe o corpo; aterrado, tolhido de medo e de pudor não conseguiu refrear aquela sensação e cantou:
Cá-que-rá-cá-cá....!
Cá-que-rá-cá-cá....!
Acordou toda a gente como se um raio tivesse caído no galinheiro, despertando a mãe, as primas e os irmãos. Tenório já não era nenhum frango era um galo. O peito almofadado de penas, os esporões que cresciam dia após dia nas pernas lisas e musculadas faziam dele um belíssimo galo. Durante muito tempo Tenório foi o rei da galinheira e o orgulho de todos. No entanto os seus cantos já não se faziam apenas pela madrugada para acordar todo o pessoal e chamar para as tarefas diárias. Começou também a cantar à meia-noite, às tantas da manhã, e várias vezes pelo dia fora.
Mas um dia, outro galo mais jovem preparou-se para suceder a Tenório, que era agora considerado como o velho galo. Para cúmulo tratava-se do seu próprio filho e três anos depois de cantar pela primeira vez, Tenório ouviu o seu filho substituí-lo no cantar do amanhecer, acabando por ter o mesmo fim que os seus irmãos.
Miguel Torga
A cabra é negra.
Mas seu negro
não é o negro do ébano douto
(que é quase azul) ou o negro rico
do jacarandá (mais bem roxo).
O negro da cabra é o negro
do preto, do pobre, do pouco.
Negro da poeira, que é cinzento.
Negro da ferrugem, que é fosco.
Negro do feio, às vezes branco.
Ou o negro do pardo, que é pardo.
disso que não chega a ter cor
ou perdeu toda cor no gasto.
É o negro da segunda classe.
Do inferior (que é sempre opaco).
Disso que não pode ter cor
porque em negro sai mais barato.
João Cabral de Melo Neto - Obra completa


e vocês de que animal gostam mais?
eu é do cão.
e logo a seguir da girafa.

Sunday, July 05, 2009

alguns ainda se

iludem com adocicar o
corpo, fazem-no em
pânico ignorantes do fermento
que é para a alma, ficam gordos
preparados para serem despojados
das carnes que inutilizaram, e já os
junto à terra como se
evadidos para o pó, a
criarem esperanças
parvas nos outros.

valter hugo mãe
para vos engordar a alma
útero

GOVERNO - Meio Bicho e Fogo from 8 e Meio on Vimeo.

[«meio bicho e fogo» é o primeiro tema do projecto musical governo.composto por miguel pedro (fundador de bandas como mão morta e mundo cão) com letra de valter hugo mãe.o projecto governo é composto por antónio rafael (também dos mãos morta) nas teclas, henrique fernandes no contrabaixo, miguel pedro na percussão e programações e valter hugo mãe na voz.]

Thursday, July 02, 2009

senhoras e senhores

senhoras e senhores

ando silenciosa
a alma precisa de tempo para,
num outro tempo, talvez,
transcrever o que absorveu de belo.
senhoras e senhores
no país das maravilhas a menina caiu.
de medo e sem rédeas
desabei.
flutuando no caos,
perdida no todo.
na cabeça a vida corre
como um rio,
memórias do agora sem forma de amanhã.
a tristeza é sempre funda.
senhoras e senhores,
começou a corrida sem o sinal sonoro de partida.
não é tempo. haverá tempo?
o tempo dirá.
a tempo. será?

Tuesday, June 30, 2009

momentos eternos





Gosto de me deitar
sem sono
para ficar
a lembrar-me
das coisas boas
deitada
dentro da cama
às escuras
de olhos fechados
abraçada a mim.

Adília Lopes_ Obra

Monday, June 29, 2009

...destinos...

não respiro.
suspendo.
ouço sons
não os entendo
parecem lamacentos
como lamentos que não pretendo.
olho
levantando o olhar,
sim sou capaz.
ainda.
quero ver o que ainda não sei
uma luz brilhante e aconchegante
mas apenas giram no céu nuvens de chumbo.
a inércia
paralisa me o corpo mas principamente a alma.
sinto me tão cansada.
quero movimentar me mas não tenho forças
fraquejo eu
e a vontade.
só os dias passam
a dor permanece imóvel ao meu redor.
parecem tantos caminhos
sem mapa mas com muita inquietude
incerteza.
a cabeça não para.solta de palavras e ideias.
tristes.ou menos alegres.
o porto do agora
não é destino mas sim passagem.

Eis a nossa sina:esquecer para ter passado

mentir para ter destino.

Mia Couto

Saturday, June 27, 2009

Waiting on an angel
one to carry me home
hope you come to see me soon
cause I don't want to go alone
I don't want to go alone.
[Ben Harper]
I'd like to disappear.

Tuesday, June 23, 2009

jogo do meme

Ofereceram me este jogo do meme no aArtmus e eu aceitei!
[As regras iniciais eram escolher um(a) cantor(a) ou um grupo; para cada pergunta, dar como resposta um título ou um trecho de suas músicas.Com estas regras o jogo já foi cumprido aqui no
Velas!]


Eu gostei da ideia de inverter as regras do jogo e vai daí vou joga lo com textos em prosa, poesia ou citações dos meus autores preferidos, e desta forma vou responder às perguntas partilhando quem sou.


És homem ou mulher?


As mulheres voam
como os anjos:
Com as suas asas feitas de cristal de rocha da memória
Disponíveis para voar soltas...
Primeiro lentamente: uma por uma
Depois, iguais aos pássaros
…fundas.

...
Maria Teresa Horta- Anjos mulheres


Descreve-te…


A parte invisível do visível.
De resto conhecer mais o quê?
O Manifesto do Invisível.
Gonçalo M. Tavares-Investigações. Novalis



O que as pessoas acham de ti?


Todos julgam segundo a aparência, ninguém segundo a essência.
Friedrich Schiller



Como descreves teu último relacionamento?
Que o amor existe, que vale a pena se doar às amizades a às pessoas, que a vida é bela sim, e que eu sempre dei o melhor de mim... e que valeu a pena.
Mário Quintana


Descreve o momento actual de tua relação:

Aproximo-me da noite
o silêncio abre os seus panos escuros
e as coisas escorrem
por óleo frio e espesso
Esta deveria ser a hora
em que me recolheria
como um poente
no bater do teu peito
mas a solidão
entra pelos meus vidros
e nas suas enlutadas mãos
solto o meu delírio.
...
Mia Couto- Raiz de Orvalho e Outros Poemas

Onde querias estar agora?


Os pássaros de Londres
cantam todo o inverno
como se o frio fosse
o maior aconchego
nos parques arrancados
ao trânsito automóvel
nas ruas da neve negra
sob um céu sempre duro
os pássaros de Londres
falam de esplendor
com que se ergue o estio
e a lua se derrama
por praças tão sem cor
que parecem de pano
em jardins germinando
sob mantos de gelo
como se gelo fora
o linho mais bordado
ou em casas como aquela
onde Rimbaud comeu
e dormiu e estendeu
a vida desesperada
estreita faixa amarela
espécie de paralela
entre o tudo e o nada
os pássaros de Londres

quando termina o dia
e o sol consegue um pouco
abraçar a cidade
à luz razante e forte
que dura dois minutos
nas árvores que surgem
subitamente imensas
no ouro verde e negro
que é sua densidade
ou nos muros sem fim
dos bairros deserdados
onde não sabes não
se vida rogo amor
algum dia erguerão
do pavimento cínzeo
algum claro limite
os pássaros de Londres
cumprem o seu dever
de cidadãos britânicos
que nunca viram
os céus mediterrânicos
Mário Cesariny-Poemas de Londres

O que pensas a respeito do amor?


Rifa-se um coração quase novo. Um coração idealista. Um coração à moda antiga. Um covarde, moleque que insiste em pregar peças no seu usuário. Rifa-se um coração que na realidade está um pouco usado, muito machucado e que teima em alimentar sonhos e cultivar ilusões. Um pouco inconsequente, que nunca desiste de acreditar nas pessoas. Um leviano e precipitado coração que acha que Tim Maia estava certo quando escreveu: «Não quero dinheiro, eu quero amor sincero, é isso que eu espero!» Um idealista!!! Um verdadeiro sonhador... Rifa-se um coração que nunca aprende, que não endurece e mantém sempre a esperança de ser feliz, sendo simples e natural. Um coração insensato que comanda o racional sendo louco o suficiente para se apaixonar. Um furioso que vive procurando relações e emoções verdadeiras. Rifa-se um coração que insiste em cometer sempre os mesmos erros. Esse coração que erra, que briga e que se expõe. Perde o juízo por completo em nome de causas e paixões. Sai do sério e, às vezes, revê suas posições arrependidas de palavras e gestos. Esse coração tantas vezes incompreendido, tantas vezes provocado, tantas vezes impulsivo. Rifa-se este desequilibrado emocional que abre sorrisos tão largos que quase dá para engolir as orelhas, mas que também arranca lágrimas e faz murchar o rosto. Um coração para ser alugado ou mesmo utilizado por quem gosta de emoções fortes. Um órgão abestado, indicado apenas para quem quer viver intensamente e contra-indicado para os que apenas pretendem passar pela vida matando o tempo, defendendo-se das emoções. Rifa-se um coração tão inocente que se mostra sem armaduras e deixa louco seu usuário. Um coração que quando parar de bater ouvirá o seu usuário dizer pra São Pedro na hora da prestação de contas: «O Senhor pode conferir, eu fiz tudo certo, só errei quando coloquei sentimento. Só fiz bobagens e me dei mal quando ouvi este louco coração de criança que insiste em não endurecer e se recusa a envelhecer». Rifa-se um coração ou mesmo troca-se por outro que tenha um pouco mais de juízo. Um órgão mais fiel ao seu usuário. Um amigo do peito que não maltrate tanto o ser que o abriga. Um coração que não seja tão inconsequente. Rifa-se um coração cego, surdo e mudo, mas que incomoda um bocado. Um verdadeiro caçador de aventuras que ainda não foi adoptado, provavelmente, por se recusar a cultivar ares selvagens ou racionais, por não querer perder o estilo. Oferece-se um coração vadio, sem raça, sem pedigree. Um simples coração humano. Um impulsivo membro de comportamento até meio ultrapassado. Um modelo cheio de defeitos que, mesmo estando fora do mercado, faz questão de não se modernizar, mas vez por outra, constrange o corpo que o domina. Um velho coração que convence seu usuário a publicar seus segredos e a ter a petulância de se aventurar como poeta.
Clarice Lispector



Qual o lema da tua vida?

Devemos andar sempre bêbados.
É a única solução.
Para não sentires o tremendo fardo do tempo que te pesa sobre os ombros e te verga ao encontro da terra, deves embriagar-te sem cessar.
Com vinho, com poesia, ou com a virtude.
Escolhe tu, mas embriaga-te.
E se alguma vez, nos degraus de um palácio, sobre as verdes ervas de uma vala, na solidão morna do teu quarto, tu acordares com a embriaguez atenuada, pergunta ao vento, à onda, à estrela, à ave, ao relógio, a tudo o que se passou, a tudo o que gira, a tudo o que canta, a tudo o que fala; pergunta-lhes que horas são:
São horas de te embriagares.
Para não seres como os escravos martirizados do tempo, embriaga-te, embriaga-te sem descanso.
Com vinho, com poesia. Ou com a virtude.
Charles Baudelaire



O que pedias como único desejo?


Vontade de mergulhar sem oxigénio no oceano
e entrar no colo das ondas.
Andreia- A menina dos olhos de água

Sunday, June 21, 2009

a minha alma


não sei o que faço!
o que faço para viver com a minha alma
oculta que vive comigo,
que se deita ao meu lado,
e que cruamente lança verdades dentro de mim.
posso viver assim?
uma alma de espinhos
muito compridos que estoiram as minhas bolhas de ilusão,
como se a alma estivesse gravada na palma de minha mão.
agarrada...sugando...
a minha alma faz me desprender as coisas que eu quero esquecer...
eu, louca desvairada, mexo e remexo na intimidades desta alma,
de mil cores,de mil facetas, mil tristezas.
nesta alma,
as faces são muitas,
com outras vozes, outros amores, outros desamores, outros prazeres e com muitas feridas.
nem todas cicatrizadas.
era bom ter um camarim, cheio de pós e purpurinas, para disfarçar esta alma.
pois é..não sei como encará la,
tão dividida,
como deitá la fora de vez da minha vida?
sinto como se constantemente lhe estivesse a acenar um adeus
imaginário,
real,
não sei!
a minha alma não sabe quando partir,
não me deixar respirar,
e
divide em mim o meu coração...

Monday, June 15, 2009

esta semana apetece me dizer


Sunday, June 14, 2009

de regresso


olho-te a ti Lisboa,
um sol translúcido, brilhando.
Lisboa
dos ricos e dos pobres,
dos ignorantes e
dos doutores em coisa nenhuma.
a Lisboa da vida e da morte
jogada numa infinita peça
com um elenco invejável de epopeias monumentais.
a Lisboa do Camões
ou a Lisboa do Pessoa.
olho-te a ti Lisboa,
identidade própria que inebria o
menos sensível dos corações.
serás sempre Lisboa,
terra dos sonhos
e das ilusões.
olho-te a ti Lisboa, amiga...

Wednesday, June 10, 2009

Lagos III_Sophia de Mello Breyner Andresen

Vais pela estrada que é de terra amarela e quase sem nenhuma sombra. As cigarras cantarão o silêncio de bronze. À tua direita irá primeiro um muro caiado que desenha a curva da estrada. Depois encontrarás as figueiras transparentes e enroladas; mas os seus ramos não dão nenhuma sombra. E assim irás sempre em frente com a pesada mão do Sol pousada nos teus ombros, mas conduzida por uma luz levíssima e fresca. Até chegares às muralhas antigas da cidade que estão em ruínas. Passa debaixo da porta e vai pelas pequenas ruas estreitas, direitas e brancas, até encontrares em frente do mar uma grande praça quadrada e clara que tem no centro uma estátua. Segue entre as casas e o mar até ao mercado que fica depois de uma alta parede amarela. Aí deves parar e olhar um instante para o largo pois ali o visível se vê até ao fim. E olha bem o branco, o puro branco, o branco de cal onde a luz cai a direito. Também ali entre a cidade e a água não encontrarás nenhuma sombra; abriga-te por isso no sopro corrido e fresco do mar. Entra no mercado e vira à tua direita e ao terceiro homem que encontrares em frente da terceira banca de pedra compra peixes. Os peixes são azuis e brilhantes e escuros com malhas pretas. E o homem há-de pedir-te que vejas como as suas guelras são encarnadas e que vejas bem como o seu azul é profundo e como eles cheiram realmente, realmente a mar. Depois verás peixes pretos e vermelhos e cor-de-rosa e cor de prata. E verás os polvos cor de pedra e as conchas, os búzios e as espadas do mar. E a luz se tornará líquida e o próprio ar salgado e um caranguejo irá correndo sobre uma mesa de pedra. À tua direita então verás uma escada: sobe depressa mas sem tocar no velho cego que desce devagar. E ao cimo da escada está uma mulher de meia idade com rugas finas e leves na cara. E tem ao pescoço uma medalha de ouro com o retrato do filho que morreu. Pede-lhe que te dê um ramo de louro, um ramo de orégãos, um ramo de salsa e um ramo de hortelã. Mais adiante compra figos pretos: mas os figos não são pretos mas azuis e dentro são cor-de-rosa e de todos eles corre uma lágrima de mel. Depois vai de vendedor em vendedor e enche os teus cestos de frutos, hortaliças, ervas, orvalhos e limões. Depois desce a escada, sai do mercado e caminha para o centro da cidade. Agora aí verás que ao longo das paredes nasceu uma serpente de sombra azul, estreita e comprida. Caminha rente às casas. Num dos teus ombros pousará a mão da sombra, no outro a mão do Sol. Caminha até encontrares uma igreja alta e quadrada.Lá dentro ficarás ajoelhada na penumbra olhando o branco das paredes e o brilho azul dos azulejos. Aí escutarás o silêncio. Aí se levantará como um canto o teu amor pelas coisas visíveis que é a tua oração em frente do grande Deus invisível.[texto escrito por Sophia que retrata a forma como ensinou a sua empregada como ir a pé da casa de férias em Lagos até ao mercado na mesma cidade. enunciou-lhe o caminho, mostrando lhe o que veria a cada passo.belissimo este texto...digo eu!]

Monday, June 08, 2009

Lagos I e II_Sophia de Mello Breyner Andresen

Lagos I

"Un jour a Lagos ouverte sur la mer comme l’autre Lagos"
Senghor

Em Lagos
Virada para o mar como a outra
Lagos
Muitas vezes penso em Leopoldo Sedar Senghor:
A precisa limpidez de Lagos onde a limpeza
É uma arte poética e uma forma de honestidade
Acorda em mim a nostalgia de um projecto
Racional limpo e poético
Os ditadores – é sabido – não olham para os mapas
Suas excursões desmesuradas fundam-se em confusões
O seu ditado vai deixando jovens corpos mortos pelos caminhos
Jovens corpos mortos ao longo das extensões
Na precisa claridade de Lagos é-me mais difícil
Aceitar o confuso o disforme a ocultação
Na nitidez de Lagos onde o visível
Tem o recorte simples e claro de um projecto
O meu amor da geometria e do concreto
Rejeita o balofo oco da degradação
Na luz de Lagos matinal e aberta
Na praça quadrada tão concisa e grega
Na brancura da cal tão veemente e directa
O meu país se invoca e se projecta.


Lagos II

I
Lagos onde reenventei o mundo num verão ido
Lagos onde encontrei
Uma nova forma do visível sem memória
Clara como a cal concreta como a cal
Lagos onde aprendi a viver rente
Ao instante mais nítido e recente
Lagos que digo como passado agora
Como verão ido absurdamente ausente
Quase estranho a mim e nunca tido

II
Foi um país que eu encontrei de frente
Desde sempre esperado e prometido
O puro dom de ter nascido
E o sol reinava em Lagos transparente
III

Lagos lição de lucidez e liso
Onde estar vivo se torna mais completo
- Como pode meu ser ser distraído
De sua luz de prumo e de projecto?

IV
Ou poderemos Abril ter perdido
O dia inicial inteiro e limpo
Que habitou nosso tempo mais concreto?
Será que vamos paralelamente
Relembrar e chorar como um verão ido
O país linear e transparente
E sua luz de prumo e de projecto.

Saturday, June 06, 2009

fui




Wednesday, June 03, 2009

é verdade não é?

Saturday, May 30, 2009

50 eu's...

o Dias pediu me 8 características minhas mas eu como sempre estiquei me às 50!
a ver mais abaixo...
Eu sou baixa.
Eu adoro animais, em especial cães.
Eu sou muito encalorada.
Eu mudo de humor com muita frequência.
Eu sou apaixonada por livros.
Eu estou sempre prestes a falar de algo importante.
Eu gosto muito de dormir.
Eu adoro praia.
Eu gostava de saber o que desperto nos outros.
Eu não sei medir a minha força física .
Eu gosto de encontrar frases que digam algo sobre mim seja em livros ou músicas.
Eu não gosto de despedidas.
Eu gosto de ser key account manager de empresas vitivinícolas.
Eu adoro chá de menta.
Eu detesto casamentos.
Eu acho que tenho piada.
Eu não gosto de beber água.
Eu não sonho.
Eu sou muito chorona.
Eu gosto de homens.
Eu gosto de usar calças de ganga.
Eu tenho e tive poucos casos amorosos.
Eu gosto muito da minha família e dos meus amigos.
Eu adoro abraços apertados.
Eu detesto ter que andar vestida de maneira clássica.
Eu adoro ténis All Star.
Eu não sei onde quero estar daqui a 5 anos.
Eu gostava de ter um Volvo C30 mas tenho um Citröen C2.
Eu nunca tive um namorado loiro e também não quero.
Eu adoro vinho tinto.
Eu não gosto de dividir o WC com ninguém.
Eu adoro andar de sandálias.
Eu gostava de não pensar tanto.
Eu adoro música.
Eu não digo asneiras.(ok...digo merda).
Eu adoro viajar.
Eu não gosto de touradas.
Eu gosto de escrever.
Eu gosto de ajudar quem precisa
Eu gosto de politica.
Eu não sei receber elogios.
Eu defendo me por impulso quando me criticam.
Eu odeio mentiras.
Eu adoro amarelo.
Eu não gosto de pés.
Eu gosto de me rir e que me façam rir.
Eu adoro mãos.
Eu não gosto de multidões.
Eu gosto do meu nome.
Eu sou muito ansiosa.

Thursday, May 28, 2009

jacarandás e pós...uma montanha de disparates!


todos os dias à minha frente, da janela do meu local de trabalho, vejo jacarandás.lindissimos.

tirando isso estou com uma imensa alergia!espirros e pingo no nariz...

se calhar fico bem no meio dos pós. entre nós, modernos ou antigos, pós-literários, pós-insustentáveis pelo ar, pó...

mas não será que o tempo está marcado pelos pós???pós-musicais, pós-existenciais, entre o pó e o tempo, pé de vento e o entretenimento do tempo...

eu abandonei em definitivo o pano laranja preso no farto pó.desisti de o limpar!

já tenho a certeza. fico bem no meio dos pós, não do pó, cá entre os nós, como uma especie de bengala no bengaleiro, velho e antigo mas dos pós modernos.quem diria?

quem diria que fico bem no meio dos pós e ver todos os dias os jacarandás.

os pós caem me bem!

alma mofa, debaixo de uma almofada presa no esquecimento, apenas acordada entre o atrevimento do dor-dói-cura-cicatriz...levantar.que o caminho faz se caminhando.

a sério que sim.fico bem acordada no meio dos pós... .estática. mas não a meter dó...

todos os dias os vejo.os jacarandás...transportam saudade, um ar de felicidade e uma lágrima pendurada que fica mesmo bem em pó.

Tuesday, May 26, 2009

blogosfera

Este blogue só existe porque gosto muito dele.Dá me prazer...enquanto, assim for, aqui estarei.
A amizade virtual é isso mesmo...virtual.Claro que se gostam mais de uns de que de outros, mas não se cobra nada a ninguém, como em qualquer amizade.Nada de diferente.Já todos pensamos como seria a pessoa que está por detrás de um blogue de que se gosta muito.Mas daí até julgar alguém ou cobrar lhe uma amizade que é apenas do dominio da blogosfera..acho um pouco precipitado.Acreditar que do outro lado está uma pessoa acima de todas as expectativas é disparatado.
Sei que não tenho muitos anos disto mas já tenho alguns e se há coisa que me irritam são comentário de cortezia, o " Visita-me", "Gostei do teu blogue. Passa no meu!" e por último o pior, quando se deixam pequenos textos em que se percebe que quem o fez não se deu ao trabalho de ler o post publicado.Sinceramente, ofende me.
Claro que se publico é porque quero ser lida, quero ter a vossa opinião mas prefiro não ter se não tiverem tempo para o fazer.Compreendo.Isto não é um jogo do deve e do haver.Não temos que visitar alguem só porque esse alguem nos visitou...porque melhor do que tudo, aqui não temos máscaras...somos como somos...lê quem quer ler...não temos que nos preocupar em nos visitar uns aos outros para sermos educados...Só assim estamos a ser leais.
Eu visito o Dias diariamente porque gosto dele, sem o conhecer, sem que ele tenha um post novo todos os dias...ele visita me quando pode e depois??A blogosfera é isto mesmo.Não é uma obrigação porque para isso já tenho o sítio onde trabalho.
E acabo como comecei...Este blogue só existe porque gosto muito dele.Dá me prazer...enquanto, assim for, aqui estarei.



Esquecer uma mulher inteligente custa um número incalculável de mulheres estúpidas.

[Antonio Lobo Antunes]

Friday, May 22, 2009

O amor vem da noite dos mortos_Inês Pedrosa

O que se vê e ouve quando as cores e as vozes adormecem.
Vêem-se melhor de noite, os olhos dos mortos. É por isso que eu gosto tanto de atravessar as noites em claro. Há dias, no fim de uma homenagem a Eduardo Prado Coelho, uma pessoa do público pediu que os oradores lhe explicassem o que seria o "orgasmo vertical" de que Eduardo falara uma vez, numa crónica. O pedido poderia parecer uma provocação - mas o halo de bonomia de Eduardo pairava no magnífico Jardim de Inverno do Teatro São Luiz, estilhaçando a possibilidade fácil da provocação.
Porém, só pela noite dentro entendi que a resposta certa seria: a morte. Não o instante do passamento, mas a existência vertical e intensa que os mortos passam a ter em nós, quando de verdade os amámos. Todo o amor é póstumo; enquanto o vivemos tem a impiedade do sol, que tudo mostra, ou seja, tudo esconde. O amor vivo é uma roda de alegria e dor, conforto e tédio. Entontece e anestesia. Só sob o manto da noite silenciosa o amor revela o seu brilho magnético e o seu trajecto de inamovíveis acontecimentos. Quando falamos dos nossos mortos, usamos as palavras como lençóis ou bandeiras em que todos se assemelham - bons, bravos, inteligentes, tão comuns na imortalidade que nada os distingue. É útil o ritual desta lembrança: dá-nos a ver que os mortos não têm cor, nem raça, nem classe social, nenhuma dessas grilhetas que tanto nos tolhem os passos da vida.
Quando evocamos esses que nos fazem falta no mudo desamparo das nossas almas de vivos, desdobramos os panos oficiosos e vemo-los fracos, humanos como foram, dobrados a trabalhos e vénias, sofrendo de ciúmes e invejas, sonhando em itálico, como se fossem eternos. Assim os evocamos na noite e no silêncio: pessoas frágeis tropeçando e caindo, enganando-se, sofrendo e perseverando. É essa a sabedoria que eles nos oferecem: o conhecimento da vida desperdiçada, a evidência do vão combate. Por isso são anjos, seres humanos que sobrevoam cada um de nós, secando-nos as lágrimas e sacudindo-nos a cobardia, e não santos capazes de nos falar do alto das nuvens, ou de nos abraçar em cordas de chuva. Só um dos meus mortos é santo, isto é, um mestre de memória exemplar.
Chama-se Haquira - um nome aberto em prece ou consolação. Dedicou toda a sua existência ao essencial: a descoberta do sentido particular de cada obra ou pessoa. O amor. Aplicou à doença a disciplina de serenidade que escolhera para a vida. Arrumou os papéis, despediu-se de cada um dos seus vivos sem jamais lhes dizer adeus, escrevendo a cada um as palavras exactas que lhes sabia em falta, e preparando-se para continuar a escrevê-las, através das estrelas das noites infinitas de cada um de nós.
Outro dos meus mortos, quando era vivo, escreveu um romance chamado "Os Nós e os Laços", reflectindo sobre as causas das guerrilhas sentimentais em que as pessoas se gastam, porque chamam amor a ambições e medos. Outro ainda escreveu um livro chamado "Valsa Lenta" em que os instrumentos da morte e da vida compunham uma única sinfonia. Na parede de um restaurante que ambos frequentavam, encontro-os sorrindo nas fotografias, ao lado de um outro morto que escreveu uma página sublime sobre o cemitério secreto em que ia enterrando os vivos que o traíam, continuando, depois do enterro, a sorrir e a conversar amavelmente com os seus fantasmas carnais.
É com os mortos que se aprende o amor, e por isso o amor chega sempre tarde - demasiadas vezes, no desespero de matar a morte, o amor nunca chega a tocar-nos, ou toca-nos apenas como um arroubo do corpo, que no corpo se prende e se esvai. O amor é a arte de encontrar no rosto do outro o espelho dos nossos sonhos. Nesta noite que atravesso, procurando o caminho das palavras na luz intermitente que a lua entrega à terra, vejo, sobre as pedras da cidade, os corpos adormecidos e abraçados de uma rapariga e de um rapaz.
Quando nascer o sol, apagando o sono e o abraço, vê-los-emos como a rapariga cigana e o rapaz cabo-verdeano que se apaixonaram e sofrem a perseguição das cores, dos documentos, das famílias, e que por isso não têm casa nem dinheiro nem comida. Durante a noite, no entanto, as cores desaparecem, e os corpos abraçados destes amantes revelam apenas o lugar do amor. Ou da "beleza ética", para recordar uma outra expressão feliz de Eduardo Prado Coelho, que sabia convocar a sombra que alonga as palavras e as faz caminhar, lentamente, para esse território sem fronteiras nem arestas que ele nomeava como a noite do mundo.

Tuesday, May 19, 2009

no dia em que morri

no dia em que eu morri
ninguém percebeu.
nem os que vivem à minha volta.
não estava doente
mas deveriam saber reconhecer um corpo inerte, um cadáver.
talvez não conseguissem - nenhum deles - ver além da forma imediata da matéria.
nem ver a ausência de luz por trás dos olhos.
ou o frio das mãos. as pontas dos dedos roxas.
mas principalmente,
a ausência progressiva do coração que se foi aos poucos, desfazendo se até que apenas o seu eco batia no meu peito.
o eco.
e assim,
dia após dia,
desde aquele dia,
todos me olham, tocam e falam
como se eu ainda fosse parte do grupo,
ainda estivesse viva.
mas sabem,
vou vos contar um segredo...
só eu e os bichinhos,
aqueles da madeira,
sabem que morri.
que me desintegrei em pedaços
disparados em milhões de direcções
e não segurei firme nenhuma mão
porque nenhuma me foi oferecida.
vivi muitos sonhos falsos
e sentei me em demasiados lugares ocupados
para no fim encontrar
apenas a ridícula solidão.
mas tu também saberias que morri se acaso me visses.
ou não...
se os teus olhos não estiverem já perdidos a espreitar horizontes longínquos.


Saturday, May 16, 2009

gostava muito de fazer o meu....(e adoro este texto!)


Se quiseres fazer azul,pega num pedaço de céu e mete-o numa panela grande,

que possas levar ao lume do horizonte;

depois mexe o azul com um resto de vermelho

da madrugada, até que ele se desfaça;

despeja tudo num bacio bem limpo,

para que nada reste das impurezas da tarde.

Por fim, peneira um resto de ouro da areia

do meio-dia, até que a cor pegue ao fundo de metal.

Se quiseres, para que as cores se não desprendam

com o tempo, deita no líquido um caroço de pêssego queimado.

Vê-lo-ás desfazer-se, sem deixar sinais de que alguma vez

ali o puseste; e nem o negro da cinza deixará um resto de ocre

na superfície dourada. Podes, então, levantar a cor

até à altura dos olhos, e compará-la com o azul autêntico.

Ambas as cores te parecerão semelhantes, sem que

possas distinguir entre uma e outra.

Assim o fiz – eu, Abraão ben Judá Ibn Haim,

iluminador de Loulé – e deixei a receita a quem quiser,

algum dia, imitar o céu.


[Receita para fazer o azul- Nuno Júdice]

Thursday, May 14, 2009

eu sabia!

as calorias são pequenos animais que vivem nos roupeiros e que durante a noite apertam a roupa das pessoas.
(recebido por email)

Wednesday, May 13, 2009

a Marta e o Francisco deram me esta prenda


As regras são:
1.Colocar o selo no blogue
2.Divulgar as regras
3.Dizer 5 coisas que gosto na vida
4.Indicar 50 + 1 (ok eu sei que eram 10 mas não consegui...)blogues para os quais o envio
5.Informar os blogues indicados que receberam o selo.




5 coisas que gosto na vida:
a minha família e nela o meu coração derrete se completamente para o meu irmão
os verdadeiros amigos e novamente existem especiais:a Sofia, o Luis, a Bicas e o Tiago.aqui também não me esqueço do melhor amigo o meu cão Simão!
vinho tinto alentejano
abraços apertados e leais
livros(até o cheiro)


e os selinhos são oferecidos aos:


E agora aqui vai uma prenda minha para a Marta e para o Francisco



Vocês que estão aí tão longe e tão perto...
Ouvem me quando estou preocupada
Animam me quando estou triste
Amparam me quando falho.
Sorriem quando estou feliz.
Algumas pessoas far-se-iam pagar por isso.
Vocês apenas o fazem porque são meus amigos.
Obrigada.

Monday, May 11, 2009

acho que preciso de me alimentar

acho que preciso de me alimentar .
mas não é o estomago.é a alma.
não preciso de bifes com batatas fritas.
preciso de energia para me levantar de manhã e sair para trabalhar a sorrir.
acho que preciso de me alimentar.
sobreviver ao corpo mas ficar com alma.
sentir fome bem cá dentro mas que não me deixe melancólica.
quero ter fome de ir ao cinema, conversar com quem gosto e sentir uma vontade louca de viajar até ficar tonta.
acho que preciso de me alimentar.
o meu frigorifico está cheio.iogurtes, leite, carne, peixe e ....um sem número de outras coisas.
mas nao tenho fome.
ontem saciei me com a revista do Expresso, um episódio do Sem Rasto e internet desprezando o resto e nem me levantandodo sofá neste processo.
acho que preciso de me alimentar.
mas para alimentar a alma é também bom sair de casa: perseguir objectivos e prazeres.
assim como é necessario silêncio para caminhar,
se ele não existir vou persegui lo e ver onde se esconde,
ir por uma estrada de terra batida, visitar uma falésia ou ver o mar.
nesta época o litoral é tão bonito, tem uma luz diferente, o mar parece maior.
acho que preciso de me alimentar.
também me apetece afecto, verdade, quem goste de mim e me oiça as mágoas, abrace fortemente ou sorria, um amigo.
apanharmos juntos a liberdade que anda tão rara, liberdade de pensamento, de atitudes e horários..,
alimentar a alma.
pode ser engraçado.
apanhar o amanhã, o novo, o que ainda não foi contaminado por críticas, comodismos, preconceitos
e ir atrás do surpreendente, do que se expande a minha frente, e me provoca prazer de olhar e sentir.
acho que preciso de me alimentar.
vou me entupir de calorias na alma.
há tantas sugestões no cardápio:teatro, cinema, amigos, copos, ler, ver , sentir....
lá porque o ritmo dos dias é intenso não me vou esquecer de alimentar corectamente.
quero engordar no lugar certo.

Saturday, May 09, 2009

como medir a distância

Como Walser está contente! Mal se abre a porta de sua casa - sente ele - entra-se noutro mundo. Como se não fosse apenas um movimento fisíco no espaço - dois passos que se dão - mas também uma deslocação - bem mais intensa - no tempo; do pé de trás que vem ainda com o cheiro da terra e com a sensação, nada objectiva, mas que existe, de que se está rodeado de coisas vivas que não compreendemos na totalidade e não nos compreendem - os elementos da floresta -, desse pé de trás para o pé da frente, que já ultrapassou a ombreira da porta, a distância não deve ser medida em centímetros de passada, mas em séculos, talvez milénios.
[Gonçalo M. Tavares-O Senhor Walser]


nonsense

Se fervermos em água bolas de ping pong velhas, estas ficam como novas.

Wednesday, May 06, 2009

faço me ao caminho

hoje

não apanho conchas
na praia
e nem vejo estrelas no céu.

acordei agarrada a um corpo inerte. talvez porque passei a noite presa ao passado. ao homem inerte que se agarra a mim.já não sou e nunca fui o seu único amor. o homem que a fez mulher e que agora estava aqui imóvel.
levantei me resignada e no espelho da casa de banho, vi o meu rosto. velho, com enormes olheiras, rugas vincadas pelo tempo que se esvaiu lentamente em mim e sem que o conseguisse segurá lo. vi mas não me vi. não em identifiquei.
agora olho e tento sentir o vento doentio a passar pelo quarto.parece que cheira a mofo.arrepiu me e enojo me. o cheiro a mofo vem de mim.sou eu que cheiro a mofo.
visto luto.uma saia preta e uma camisola amarela.percebem? mas volto para a cama. ele morto não esta lá.... sou eu que cheiro a mofo.
se tivesse lavava e vestia o. pela última vez.para a sua a ultima morada e não me afastaria mas ia sim até ao fim do ritual.
não temos filhos para avisar e os amigos não querem saber se morreste para avisar.está tudo há muito esquecido. há muito deixado para trás. viviamos isolados mas não viviamos apenas um para o outro. e não havia nada mais.
volto a olha lo...apareceu novamente na cama.velho e mesmo assim tão lindo, tão meu, mesmo já estando morto.beijo o e choro as minhas últimas lágrimas.
finalmente levanto me da cama, atravesso o quarto, tranco a porta e saiu de minha casa.mas antes acendo um fósforo e lanço o sobre a casa.não olho para trás, apenas me chega a saia preta e a camisola amarela.
sem lágrimas.pego no carro e vou...sim, vou.sem destino mas para local definido.e então sem nome, sem palavra e sem uma canção poderei chorar em silêncio.


vejo
estrelas e conchas
nunca esquecidas
na minha memória.

Monday, May 04, 2009

um filme, um poema, uma musica,uma frase e uma peça de teatro...porque me apetece!

Les uns et les outres
é um filme com 28 anitos (realizado em 1981) baseado em personagens reais, e retrata o ano de 1936, quatro famílias de nacionalidades diferentes mas que partilham a mesma paixão pela músicae que vêm os seus destinos marcados pela Segunda Guerra Mundial.uma história antiga que pode perfeitamente fazer parte da actualidade.três horas de espectáculo, para rir e chorar, pequenos e grandes momentos de uma vida, decididos por uns, vividos por outros.unidos todos pela musica.não há pessoas boas nem más, só dias bons e dias maus.é sobretudo o espectáculo de musica que conduz a dança. só a musica tem todas as virtudes necessárias para nos fazer sonhar e acreditar num mundo melhor.e depois há quem não se emocione a ouvir o Bolero de Ravel?








Como é que os loucos podem ter sono!
- Há pessoas, imaginem, que não dormem!
- E porque não dormem?

- Porque nunca têm sono.

- E porque não têm sono?

- Porque são loucos.

- Então os loucos não têm sono?

- Como é que os loucos podem ter sono!
[Franz Kafka]



sou uma miuda...ups pode que ser que passe...mas estou sempre cheia de sono durante o dia mas quando tenho que ir dormir custa me sempre tanto adormecer.louca!



Surround me with your love
uma musica que gosto e me foi oferecida por um grande amigo no meu aniversário. acho que ele não sabia que eu gostava...







O álcool tira as ilusões. Depois de alguns golos de conhaque já não penso em ti.[Marguerite Yourcenar]

uma frase em que acredito!



Peça de teatro "NU"

6as e Sábados- 22h no Bar Novo da Faculdade de Letras da Univ. de Lx. Reservas: 21 799 0530 ou através do email: artec.flul@gmail.com.

Encenador do ARTEC-Marcantónio Del Carlo.Grupo de teatro ARTEC:. três rapazes e seis raparigas quase todos estudantes.

a peça NÚ, trata de “um casal de estudantes que trabalha num call center e da história de Youness, um estudante de Erasmus, que está em Portugal há pouco tempo e adora “tocar” as colegas debaixo da carteira, em Literatura Grega III”.escreveu Marcantónio Del Carlo no panfleto de divulgação.esta peça trata de “pôr a nú” as relações entre homens e mulheres no seio universitário... aspectos relacionados com todos e com cada um de nós intimamente, da mesma forma que nos “toca” no íntimo de formas diferentes. o objectivo é rir e chorar, mas, acima de tudo, deixar nos a pensar.a mim conseguiu.

Sunday, May 03, 2009

Palavras para a Minha Mãe Catarina


mãe, tenho pena.

esperei sempre que entendesses as palavras que nunca disse e os gestos que nunca fiz.

sei hoje que apenas esperei, mãe, e esperar não é suficiente.

pelas palavras que nunca disse, pelos gestos que me pediste

tanto e eu nunca fui capaz de fazer, quero pedir-te

desculpa, mãe, e sei que pedir desculpa não é suficiente.

às vezes, quero dizer-te tantas coisas que não consigo,

a fotografia em que estou ao teu colo é a fotografia

mais bonita que tenho, gosto de quando estás feliz.

lê isto: mãe, amo-te.

eu sei e tu sabes que poderei sempre fingir que não

escrevi estas palavras, sim, mãe, hei-de fingir que

não escrevi estas palavras, e tu hás-de fingir que não

as leste, somos assim, mãe, mas eu sei e tu sabes.

[José Luis Peixoto]

Friday, May 01, 2009

decidida

ainda não sei o que se faz às palavras que ficam por dizer.
mas sei que depois de muito me questionar
e
das tuas atitudes,
que um sonho não vale a queda do despertar!
às vezes as pessoas são momentos breves que desiludem.


I've heard there was a secret chord

That David played and it pleased the Lord

But you don't really care for music do you?

It goes like this – the fourth, the fifth

The minor fall, the major lift

The baffled King composing Hallelujah

Hallelujah, Hallelujah, Hallelujah, Hallelujah

Your faith was strong but you needed proof

You saw her bathing on the roof

Her beauty in the moonlight overthrew you

She tied you to a kitchen chair

She broke your throne, she cut your hair

And from your lips she drew the Hallelujah

Hallelujah, Hallelujah, Hallelujah, Hallelujah

Maybe I've been here before

I know this room, I've walked this floor

I used to live alone before I knew you

I've seen your flag on the Marble Arch

Love is not a victory march

It's a cold and it's a broken Hallelujah

(musica-Hallelujah...está no Shrek)

Feliz 1º de Maio!

Convosco, não, traidores!
Que poeta decente poderia
Acompanhar-vos um segundo apenas?
À quente romaria do futuro
Não vão homens obesos e cansados.
Vão rapazes alegres.
Moças bonitas,
Trovadores,
E também os eternos desgraçados,
Revoltados
E sonhadores.
[Miguel Torga]

Dia do trabalhador!

A Liberdade é a liberdade de poder dizer que dois e dois são quatro. Uma vez que se reconheça isto, tudo o mais virá por acréscimo.
[George Orwell]

Tuesday, April 28, 2009

indecisa

Quem pensa muito, nem sempre escolhe o melhor.

Indecisão é quando você sabe muito bem o que quer mas acha que devia querer outra coisa.

indecisa.estou indecisa.

as duas frases que ali estão acima não me saem da cabeça...contraditórias...eu sei...mas parece que se completam na minha cabeça e me baralham ao mesmo tempo.

indecisa.estou indecisa.

e a indecisão rasga por dentro e por fora.não seria melhor se eu soubesse????

será tudo destino, ou erros passados serão erros presentes?a culpa, a ausência, a inocência, a certeza do amor ou da dor.raios partam as duvidas!

indecisa.estou indecisa.

mas sei que quero esquecer problemas. sorrir.de manhã, à tarde e à noite..ser feliz por mais que um minuto. encantar o mundo. a vida. o tempo.

indecisa.estou indecisa.

fazer o que tem de ser feito mas à minha maneira.descobrir que isso tudo pode ser meu.saltar muito alto e mandar o que não presta para ar!

indecisa.estou indecisa.

quero que a chuva me abandone e ver o sol. conhecer o gosto. o teu e o meu. bom gosto. chegar perto. esperar e fazer tudo para que dê certo.

indecisa.estou indecisa.

quero muito.mas muito mais. do que tudo que pode ser.

estou indecisa, já perceberam.mas faço o quê?

Monday, April 27, 2009

de trintinha a trintona!

Happy birthday

To


Me!


35 anitos.





A minha prenda para os que gostam e acompanham o Velas, é este belissimo texto do Miguel Esteves Cardoso.

"Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que forincompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo.O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade.Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão.Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito.Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado.Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido.Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama.Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo".O amor passou a ser passível de ser combinado.Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões.O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem.A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível.O amor tornou-se uma questão prática.O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço.Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje.Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos,bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas.Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha.Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental".Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso.Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice,facada, abraços, flores. O amor fechou a loja.Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor.É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz.É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto.O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor.A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição.Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe.Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma.É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária.A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser.O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida.A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre.Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente.O coração guarda o que se nos escapa das mãos.E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz.Não se pode ceder. Não se pode resistir.

A vida é uma coisa, o amor é outra.A vida dura a Vida inteira, o amor não. Só um minuto de amor pode durar a vida inteira.E valê-la também."



E será que posso pedir uma para mim ???


Deixem me uma frase/texto ou uma musica de que gostem muito


Acreditem que irei ler ou ouvir todas.


Assim estaremos bem pertinho como um abraço!

hoje conhecem me um pouco melhor

1)- Nome
I, ou Mãe-d'água, segundo as crenças brasileiras, sou uma sereia . Não se sabe se sou morena, loira ou ruiva, mas banho me nos rios e canto uma melodias irresistível. Os homens que me vêem não conseguem resistir aos meus desejos e salta para dentro de agua e eu levo os para o fundo do rio; quase nunca voltam vivos e depois de comidos. Os que voltam ficam loucos e apenas através de um ritual índio conseguem ser curados. Os indios têm tanto medo da I que evitam os lagos ao entardecer.
2)- Porque lhe deram esse nome?A minha mãe gostava e como só teve uma filha e um filho…só eu me podia chamar assim!
3)- Você faz pedidos às estrelas?Não.
4)-Quando foi a última vez que chorou?É raro o dia em que não choro… a frase uma lágrima ao canto do olho devia ser minha… Mas a última a sério foi no Marley & me, durante o filme e enquanto conduzia até casa.A vez que mais chorei de coração ferido e que me limpou a alma foi numa praia em Leiria, S.Pedro, alguns anos atras.Nunca me esqueço desse dia nem que viva mais cem anos!
5)- Gosta da sua letra? É horrível..culpa de tanto utilizar computador.
6)- Gosta de pão com o quê?Pão quente com manteiga ou queijo!
7)- Quantos filhos tem?Nenhum.
8)- Se fosse outra pessoa seria seu amigo?Acho que sim..tenho mau feitio mas sou boa pessoa!
9)- Saltaria de bungee-jump?Nop mas gostava de fazer paraquedismo.
10)- Desamarra os sapatos antes de tirá-los?Só tenho com atacadores os all stars …são impossíveis de descalçar sem desatar atacadores.
11)- Acreditas que és uma pessoa forte?Tens dias.E não são muitos.
12)- Gelado favorito?Manga com sorvete de tangerina da haggen dazz .
13)- Vermelho ou preto?Preto.
14)- O que menos gostas em ti?O gostar pouco de mim e gostar de quem não gosta de mim. Confuso…não!
15)- O que mais gostas em ti?A teimosia.
16)- De quem sentes saudades?De tanta gente que está longe e que não sei se alguma vez vou voltar a ver.Também tenho saudades do meu avô…
17)- Descreva que roupa e calçado está a usar agora:pijama.(são 00.20)
18)- Qual foi a última coisa que comeu hoje?O meu jantar foi uma sopa e uma gelatina.
19)- O que está a ouvir agora?O último CD dos Xutos e Pontapés.No carro oiço a altos berros, acompanhado por mim a cantar, Maria Bethania no CD Perfil.Estranha eu!Não...
20)- A última pessoa com quem falou ao telefone?Com o Zé Luis.O meu 1º telefonema de parabéns veio de um amigo do Porto!Depois foi a sms da minha querida Sofia, que não é amiga, é mais irmã!
21)- Bebida favorita?Vinho tinto.De preferência alentejano!
22)- Comida?Só não como pescada, lampreia e língua de vaca.
23)- Último filme que viu no cinema e com quem?O Marley & me com a minha mãe.
24)- Dia favorito do ano?27 de Abril de 1974.Para o bem e para o mal!
25)- Inverno ou Verão?Verão. Calor, quente, corpos, petiscos e álcool!Muita praia.
26)- Beijos ou abraços?Com défice de ambos mas Abraços…muitos!
27)- Qual a tua sobremesa favorita?Bolo de bolacha.
28)- Que livro está a ler?Um livro que me emprestaram mas que ainda não comecei, “O jardim encantado” de Sarah Addison Allen.
29)- O que tem na parede do seu quarto?Um quadro, Blue Nude I, II,III, replica de Matisse, com o esboço de 3 mulheres em 3 posições diferentes, apenas em traço azul.
30)- Filmes favoritos?Epá muita difícil. Mas a escolher um, escolho o Mar Adentro!
31)- Onde foi o lugar mais longe que já foi?Cuba.
32)- Uma música?Mais uma vez muito difícil, mas escolho uma banda e um musico português que me fazem rir e chorar, dependendo de como me sinto cá dentro:U2 e Rodrigo Leão.
Se tivesse que escolher uma musica era One dos U2, só eu sei porquê…
33)- Uma frase?“Viver todos os dias cansa”(Pedro Paixão).